Síndrome de Angelman: estado da investigação é animador

A síndrome de Angelman (SA) é uma condição neurogenética caracterizada por atraso no desenvolvimento, deficiência intelectual severa e ausência/dificuldade na linguagem.

Igualmente característicos são os problemas de movimento e equilíbrio (ataxia), distúrbios do sono e crises convulsivas acompanhadas por anomalias da atividade elétrica cerebral, evidentes na leitura do eletroencefalograma (EEG). A SA atinge similarmente homens e mulheres e a esperança de vida destes pacientes não é afetada.

De forma geral, a gestação de uma criança portadora da síndrome é tida como normal e os exames pré-natais genéricos não apresentam irregularidades. De igual modo, o parto não ostenta nenhuma dificuldade específica e a inexistência de características físicas aquando do nascimento torna difícil a distinção entre um bebé com SA e um saudável.

Contudo, no decorrer dos primeiros 6 meses a 1 ano de vida do período pós-natal, os pais começam a notar um atraso acentuado nos principais marcos da infância. A incapacidade de sentarem-se por si mesmos, darem os primeiros passos e a ausência de linguagem, frequentemente acompanhados pelo surgimento de epilepsia, costumam ser os primeiros sinais de alarme.

O diagnóstico pode ser feito com base nos achados clínicos e nos padrões irregulares do EEG e, subsequentemente, confirmado por meio de testes citogenéticos e moleculares direcionados ao cromossoma 15.

Importância da sensibilização

Em Portugal, foram já diagnosticados mais de 60 pacientes, no entanto, dada a incidência (de 1 em cada 15.000 nascimentos), estima-se que o número real de casos ultrapasse os 500. Esta discrepância é justificada pelo desconhecimento das características desta síndrome por grande parte dos pediatras clínicos, os quais, com frequência, a confundem com outras perturbações, tais como o autismo infantil e a paralisia cerebral.

Tal facto reforça a urgência e a importância da sensibilização da classe médica, bem como da população em geral, para a existência desta síndrome, promovendo uma maior visibilidade e deteção dos sintomas associados.

Explicação genética

A síndrome de Angelman tem como causa a expressão deficiente do gene UBE3A materno. Este gene tem a particularidade de estar sujeito a “imprinting” genómico exclusivamente nos neurónios. Isto significa que, apesar de serem herdadas duas cópias do gene (uma cópia da mãe e outra do pai), nas células neuronais de um indivíduo saudável, apenas a cópia proveniente da mãe é ativada. Assim, num cérebro saudável, o alelo materno é funcional e o paterno encontra-se silenciado por processos epigenéticos. Consequentemente, qualquer anomalia no alelo materno coloca em risco a expressão total do UBE3A nos neurónios.

Este gene codifica a proteína E6AP que funciona quer como uma E3-ligase da família das HECT (homologous to E6AP carboxy terminus), quer como um coativador transcripcional. Por outras palavras, esta proteína é uma peça fulcral na via ubiquitina-proteosoma, mecanismo responsável pela degradação de proteínas dentro das células. Se a degradação de proteínas específicas reconhecidas pelo E6AP for limitada, haverá uma acumulação “tóxica” destas no interior dos neurónios, resultando num comprometimento da atividade neuronal.

Resumindo, a falta da cópia materna do gene UBE3A faz com que não haja proteína E6AP no cérebro. Por sua vez, a carência da proteína irá provocar danos e alterações profundas na comunicação e desenvolvimento neuronal, resultando na síndroma.

A ausência de expressão do UBE3A materno pode ser atribuída a diversas etiologias genéticas, sendo as mais comuns a deleção da região crítica 15q11.2-q13 (60-75% dos casos), mutações pontuais no gene UBE3A (10%), defeitos de imprinting genético (2-5%) e dissomia uniparental (2-5%), onde são herdados dois alelos silenciados do pai.

Tratamento provável no futuro

Apesar de ser considerada uma doença rara, a síndrome de Angelman começou a ter uma maior presença na literatura científica nos últimos três a cinco anos. Em parte, tal fenómeno deve-se ao facto de haver uma crescente evidência de que o tratamento para esta síndrome, não só é possível, como provável. Ao contrário do que se verifica noutras doenças do neurodesenvolvimento, a SA é uma patologia causada pela expressão deficiente de um único gene. Não existe neurodegeneração e a grossa anatomia cerebral dos pacientes encontra-se intacta. Grande parte da sintomatologia deve-se à diminuição da atividade e plasticidade sináptica. Isto significa que, em teoria, bastaria reativar a expressão do gene em falta para melhorar grande parte dos sintomas, senão todos.

Cientistas a nível mundial estudam duas possíveis abordagens terapêuticas: uma passa pelo desenvolvimento de fármacos que atuam downstream, substituindo a função da proteína em falta. A outra estratégia explora a reativação da cópia silenciada do pai (upstream).

O Dr. Ben Distel (AMC, Amesterdão) e Dra. Geeske van Woerden (Erasmus MC, Roterdão) trabalham na primeira abordagem. Colaboram entre si com o objetivo de aprofundar o entendimento sobre os mecanismos de atuação, as vias moleculares e dos targets da proteína E6AP. Em Israel, o Dr. Hanoch Kaphzan procura formas de inibir a proteína alfa1-NaKA, uma sódio/potássio ATPase, que se encontra aumentada nos cérebros de ratinhos com SA e que controla a excitabilidade dos neurónios.

A segunda estratégia terapêutica baseia-se na aplicação de terapia genética e na concomitante eliminação do longo transcripto antisense não-codificante de RNA (UBE3A-ATS), sinal responsável pelo silenciamento do alelo paterno. Um grupo da Universidade da Carolina do Norte (EUA), liderado pelo Dr. Ben Philpot, reduziu com sucesso a expressão do UBE3A-ATS, que conduziu a ativação do alelo paterno. Esta redução foi conseguida após a administração de inibidores das topoisomerases do tipo I nos ratinhos. Todavia, a falta de especificidade deste composto e os seus efeitos secundários revelam a necessidade de se realizarem mais estudos, antes de se avançar para eventuais ensaios clínicos.

Outra forma de reduzir o UBE3A-ATS é através da aplicação “in vivo” de ASOs (antisense oligonucleotides), que contornariam a questão da falta de especificidade. Investigadores norte-americanos proeminentes na área, como Dr. Arthur Beaudet e Dra. Stormy Chamberlain, trabalham nesta direção. Paralelamente, em Portugal, o investigador Dr. Simão Teixeira da Rocha (IMM, Lisboa) e a sua equipa, vencedores da bolsa atribuída pela Fundação Amélia de Mello na edição de 2015, exploram igualmente esta via, usando como modelo de estudo células de pacientes.

Tratamento com sobredentadura sobre implantes

Tratamento com sobredentadura sobre implantes. Não é algo fácil de dizer e só o tamanho do nome dá-nos logo a ideia de algo complicado e difícil… mas, na verdade, estamos perante uma solução usada há mais de 20 anos e altamente previsível. Vamos descobrir do que falamos?

Com a atual situação económica, nem sempre é possível ter a solução mais completa e ideal. E uma alternativa poderá ser um tratamento com menos implantes, mas que permita eficácia na mastigação e função ortognática. A sobredentadura sobre “locators” vai ao encontro dessa exigência, pois é um tipo de prótese que permite a colocação de um menor número de implantes.

As sobredentaduras são prótese sobre implantes que:

  •  restauram a dentição perdida, a mastigação e a fonética;
  •  mantêm o rebordo alveolar;
  •  proporcionam suporte aos músculos da face.

 COMO FUNCIONAM?

  1. Uma sobredentadura sobre “locators” realiza-se com a colocação de implantes dentários osteointegrados, que criam uma base sólida e vão assim possibilitar o suporte e encaixe da prótese dentária removível.
  2. O sistema de “locators” funciona da seguinte forma: existem cápsulas que contêm “teflons”, que se encontram na parte interna da prótese. Estes, por sua vez, irão encaixar nos “locators”, que estão fixos nos implantes, permitindo o uso de uma prótese confortável, estável e esteticamente agradável.
  3. De acordo com os estudos, verifica-se a necessidade de colocar quatro implantes na maxila, de modo a melhorar a biomecânica e a distribuição das cargas sobre os implantes, enquanto na mandíbula bastam dois.
  4. Para melhorar a rigidez e distribuição de forças, bem como a resistência a fraturas da sobredentadura, é recomendável que a mesma apresente um reforço fundido.

Selénio: para a proteção completa do organismo

Unhas quebradiças e sistema imunitário fragilizado têm alguma ligação? Segundo a ciência, sim. A falta de selénio, um mineral essencial ao nosso organismo, deixa as unhas enfraquecidas e o sistema imunitário debilitado, sendo que os sintomas nas unhas manifestam-se primeiro.

 

Está constantemente constipado, as suas unhas quebram com facilidade ou apresenta problemas de tiroide? A ciência encontrou uma explicação: provavelmente, tem falta de um nutriente essencial denominado selénio. Depois de décadas de investigação científica, os investigadores descobriram finalmente a importância do selénio para a saúde humana. Reforço do sistema imunitário é apenas uma das muitas características que requerem uma ingestão adequada deste nutriente, escasso em muitos países da Europa.

O selénio é importante não só para as unhas, mas também para a capacidade do organismo combater as infeções virais, como a gripe, e para uma função normal da tiroide. Deve certificar-se de que a quantidade de selénio que ingere é suficiente para sustentar funções cruciais, como as defesas orgânicas contra vírus, problemas cardiovasculares, reumatismo, infertilidade e até, eventualmente, cancro.

FONTES DE SELÉNIO

A inclusão de alimentos ricos em selénio na dieta, como a carne, o peixe, o marisco, os frutos secos – como a castanha-do-brasil – e os cereais ajudam a aumentar o consumo deste nutriente. Contudo, mesmo seguindo uma dieta rica e variada não é garantido que ingira a dose diária recomendada. Como complemento de uma dieta poderá optar por tomar um suplemento de selénio.

PORQUE É QUE OS SOLOS PORTUGUESES TÊM FALTA DE SELÉNIO?

Em Portugal, tal como em muitos outros países em toda a Europa, o solo é muito pobre em selénio, devido, entre outras coisas, a fatores geológicos e agricultura intensiva. O selénio é um mineral que é absorvido pelas plantas e que o ser humano obtém pela ingestão dessas mesmas plantas ou de carne de animais que se alimentam delas. Se a terra for cultivada intensivamente, sem que os minerais sejam repostos, estes tornam-se insuficientes no solo.

Na Finlândia, onde o teor de selénio no solo era extremamente baixo, o governo aprovou uma lei em 1984, determinando o enriquecimento com selénio de todos os fertilizantes. Consequentemente, a taxa de selénio na população aumentou e, também consequentemente, a taxa de doença cardíaca diminuiu.

ESCOLHA SELÉNIO ORGÂNICO

Há cada vez mais pessoas que tomam comprimidos de selénio como prevenção. Na altura de escolher um suplemento, é importante optar por um produto com levedura de selénio orgânico e com uma absorção comprovada.

Até à data, a melhor absorção foi obtida com uma levedura de selénio orgânico única (patenteada), em que quase 90% do teor de selénio é, segundo estudos, absorvido no organismo. Esta levedura de selénio em particular é usada pelos cientistas devido aos seus resultados reproduzíveis e qualidade comprovada.

Escolha um suplemento que contenha também zinco, para uma melhoria da pele. O zinco favorece os mecanismos de reparação dos tecidos envolvidos na formação de pele nova e cicatrização de feridas.

Células estaminais do cordão umbilical: opção que alarga as possibilidades de tratamentos no futuro

São muitos os indicadores que revelam o potencial das células estaminais e o crescente interesse nesta possibilidade terapêutica. Na eventualidade de surgimento de doenças que possam beneficiar da utilização de células estaminais, criopreservar as células do cordão umbilical constitui uma medida que pode alargar as possibilidades de tratamento no futuro.

As células estaminais são células com características que as tornam “especiais”, dada a capacidade de se autorrenovarem indefinidamente e de se conseguirem diferenciar num ou mais tipos de células especializadas. As células estaminais podem ser classificadas em função da sua origem e/ou da sua capacidade de diferenciação em dois tipos: embrionárias e adultas.

As células estaminais embrionárias, presentes numa fase inicial do desenvolvimento humano, originam todos os tipos de células (tecidos e órgãos) que constituem o corpo humano. As células estaminais adultas permitem manter as funções dos tecidos e órgãos em que estão presentes, bem como reparar os tecidos/órgãos em caso de lesão. Alguns tecidos neonatais, como a placenta, o sangue e o tecido do cordão umbilical, contêm também populações de células estaminais adultas (assim designadas por serem obtidas após o nascimento) com interesse terapêutico.

As células estaminais adultas que têm tido maior relevância a nível clínico são as células estaminais da medula óssea, do sangue periférico e do sangue do cordão umbilical. Estas fontes são ricas em células estaminais hematopoiéticas, isto é, as células que dão origem a todas as células do sangue: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

Células estaminais do sangue do cordão umbilical

O sangue do cordão umbilical é atualmente considerado uma fonte de células estaminais alternativa à medula óssea e pode ser usado para o tratamento de mais de 80 doenças, que incluem doenças do sangue (como leucemias e alguns tipos de anemias) e do sistema imunitário, e ainda doenças metabólicas, tendo já sido realizados mais de 40.000 transplantes com sangue do cordão umbilical em todo o mundo.

Para além disso, a sua utilização encontra-se em estudo em ensaios clínicos (utilização experimental em humanos), em doenças como paralisia cerebral, autismo, perda auditiva, diabetes tipo 1, lesões da espinal medula, entre outras, o que poderá aumentar o leque de aplicações clínicas do sangue do cordão umbilical.

Células estaminais do tecido do cordão umbilical

O tecido do cordão umbilical é muito rico num outro tipo de células, as células estaminais mesenquimais, que poderão vir a ser úteis para o tratamento de um conjunto alargado de doenças. As células estaminais mesenquimais podem diferenciar-se em cartilagem, osso, músculo e gordura. Para além disso, estas células têm a capacidade de regular a resposta do sistema imunitário, podendo vir a ser usadas no tratamento de doenças autoimunes, para além de, quando utilizadas em conjunto com células estaminais hematopoiéticas, poderem aumentar a probabilidade de sucesso dos transplantes.

O potencial destas células encontra-se em estudo em ensaios clínicos em doenças como diabetes, colite ulcerosa, cirrose hepática, cardiomiopatias, esclerose múltipla, lúpus e doença do enxerto contra hospedeiro, entre outras.

Esclerose lateral amiotrófica: apoio nutricional é de extrema importância

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurológica degenerativa progressiva rara que afeta mais de 70 mil pessoas em todo o mundo e cerca de 800 pessoas em Portugal. Para um melhor prognóstico e melhor qualidade de vida, é fulcral que o doente seja acompanhado por uma equipa multidisciplinar, que deve incluir: médicos, terapeutas da fala, fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas e psicólogos.

Para além da afeção neurológica, durante a evolução da doença, o estado nutricional do doente fica comprometido devido à capacidade catabólica da própria doença. A degradação e atrofia muscular, a disfagia (dificuldade em deglutir) e o cansaço fácil são fatores que tendem a evoluir durante os diferentes estadios da doença e que vão influenciar o estado geral e nutricional.

IMPORTÂNCIA DA NUTRIÇÃO NÃO É VALORIZADA

Esta dificuldade em deglutir afeta 85% das pessoas com ELA. Pode levar ao engasgamento, com pneumonias por aspiração, à diminuição da ingestão alimentar e, assim, acelerar a degradação muscular, contribuindo para a evolução negativa da doença. O cansaço fácil faz com que, só de mastigar os alimentos, o doente fique cansado e com dispneia. Assim, não consegue ingerir a totalidade das refeições que seriam adaptadas às suas necessidades, o que agrava a desnutrição e acelera a destruição dos músculos.

Infelizmente, a importância da nutrição ainda não está suficientemente valorizada na ELA (como acontece em outras doenças), apesar de ser uma das mais importantes intervenções terapêuticas de que dispomos. No Serviço Nacional de Saúde (SNS), não é suficientemente valorizada, o que se reflete pelo reduzido número de nutricionistas. Lamentavelmente, quando estes utentes chegam à consulta na APELA – Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica, mais de 60% apresenta um Índice de Massa Corporal (IMC) inferior a 19,00 Kg/m2, um indicador de desnutrição e de maior risco de mortalidade, o que dificulta o apoio do nutricionista. A nutrição deveria ter primordialmente um papel preventivo e não ser um recurso para “correr atrás do prejuízo”.

PAPEL DO NUTRICIONISTA

O nutricionista deve ter o papel de ajustar o plano alimentar destes doentes, de acordo com as suas necessidades e tendo em conta as consistências alimentares indicadas pela Terapia da Fala. Contudo, dar resposta às necessidades nutricionais destes utentes, recorrendo a alimentos comuns, com alteração da consistência, e tendo em conta o pouco apetite e o cansaço destes doentes, torna-se um verdadeiro desafio. Temos de recorrer, muitas vezes, a suplementos nutricionais para suprir as necessidades energético-proteicas com um baixo volume alimentar.

O problema associado a estes produtos é, maioritariamente, o custo que acarretam. Há utentes que gastam cerca de 300 euros por mês em suplementos nutricionais para garantir o aporte nutricional adequado.